Tudo o que eu queria era ser teu poema.
Um poema estranho, ao mesmo tempo familiar.
E que me lesses.
Lesses aos poucos, sem pressa,
calmamente, deixando-se impregnar
de cada palavra que te me dissesse.
Que me soubesses de carne e osso.
Que te acostumasses com meus pensamentos argutos
de humano inquieto, que sai do lugar e expressa a vontade,
Inquilino...
o direito, a liberdade, assim, com destemidos verbo e vigor.
Queria que tu me lesses atentamente,
a página inédita da complexa técnica cirúrgica,
da promissora droga capaz de auxiliar a cura da enfermidade mais desafiadora.
E, então, seria possível seguir.
Seria perfeito entregar.
Ouvir minha voz em tua boca,
Sentir tua boca em minha carne,
Ter a tua carne em minhas mãos,
Tuas mãos em minha mente,
Tua mentira em meus olhos.
Eu
teu pasto, teu desacato,
a rima dos versos livres,
sem-vergonha ali da esquina,
que não te quer e que não te deixa.
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