Faço leituras fluorescentes nas minhas cartas falidas de tarot
Foda-se a minha simples matéria imaterial
Arrombo a porta consangüínea da minha ambígua casa polarizada
Num simples desejo vestido de paz e ironia
Alcanço as vestes que não mais me vestem neste frio de verão tardio
Neste calabouço sem portas enxergo meu eu exagerado e esquálido voando para fora do espelho
O amor é uma culpa vencida da qual não há um senso comum entre duvidar ou acreditar
Não divido sequer um cigarro com minha destreza vazia de signos
Não esqueço sequer teu nome enquanto morto durmo
Não aperto o nó na garganta vazio de fé
Vazio e vadio abraço a misticidade ignóbil do meu esqueleto
Respiro cores fúteis das quais me descrevem sem destruir-me o pensamento
Impuro e febril realinho meus impulsos para o próximo mês
Escrevo cartas, paradigmas nas arestas da minha felicidade momentânea
Reescrevo o destino feito pó de lama
Não atravesso sequer a faca que me ronda o peito
Pois do que me custa a vália
De ser outro sendo este mesmo que nunca fui?
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