São coisas que algumas pessoas consideram pequenas, não dão importância, talvez até se incomodariam, mas eu não, acho tão lindo de uma grandeza tão infinita a simplicidade.

Coisas simples me fascinam...

Como no dia que ela chegou em casa dizendo:

- Te trouxe um presente!

Com as mãos pra trás segurando o mesmo.

Era um lençol roxinho e eu fiquei tão feliz, achei tão lindo...

Nunca me importei muito com roupas de cama, lençóis, fronhas essas coisas, mas a partir desse dia comecei a me importar.

Ela sempre dizia:

-Gosto de lençol fresquinho e bem esticado na cama, amo um lençol bem cheiroso.

E minha cama uma desordem e mesmo assim não se importava a gente se esmagava, se apertava e se amava, em uma cama sempre toda desarrumada.

As vezes eu olhava e estava lá o lençol caido no chão, ou todo meio que só cobrindo uma parte da cama, nunca fui bom nessas coisas.

A culpa era nossa e do seu pijama rosinha de unicornio, não era do lençol, ele não caia sozinho mas se eu fosse mais atencioso você não teria me dito em algumas noites:

- To com frio quero uma coberta!

E eu meio dormindo dizia:

- Pega lá no guarda roupa!

Nunca fui bom nessas coisas, mas gostava muito de te esquentar com o meu corpo.

Nunca me esqueço do dia que me deu aquele lençol roxinho, pois a partir desse dia toda vez que vejo a minha cama desarrumada com o lençol desarrumado lembro dela, vou lá e arrumo, mesmo que ela não venha, mesmo sem ela pra ajudar a desarruma-lo eu arrumo, com a sua lembrança, em homenagem a ela em homenagem a aquele lençol roxinho, mesmo que ela não venha toda vez arrumo, mesmo que ela nunca mais venha toda vez eu arrumo, toda vez eu arrumo.


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