Se eu não te disser pausadamente meus medos e neuras você luta pra saber ou não importa? esse não é papo de bar. de gente que acabou de se conhecer e quer ser legal pro outro. isso é pra quando a gente já viu o outro sem roupa no claro, já beijou até a alma, já riu e chorou junto, quando é confortável existir do lado. quando a gente sente medo, mas também sente muita vontade de fazer parte. eu não sei dizer se quis ser parte sua da maneira certa, mas era a maneira que eu achava ser certa, é, eu estava errado ou se sou parte sua só sei que você é parte minha, é, acho que tudo isso ao mesmo tempo. eu só queria mapear sua vontade. ela existe? a gente existe? eu digo com muita rispidez que sozinho sem você eu faço menos sentido, mas tento, sempre tentei e ainda tento e viu continuar tentando, eu quero ser perpetuamente amado como se fosse essa a coisa mais bonita que você já teve na vida. como se quisesse viver outras milhoes de coisas mais bonitas ainda. e quisesse dividi-las comigo. porque nos amamos e porque tentamos com todas as nossas forças cada um do seu jeito, mas tentamos, eu ainda tento e você? e o amor é partilha. se eu não te disser como me sinto quando a mulher que ainda amo me tocava no ombro. se eu não te explicar que o arrepio tem níveis e formas de despertar o meu corpo, você vai esticar o dedo e tentar? você vai desejar ser a mulher que amo? se a minha poesia me deixar, tu vai embora ou tu fica? tu vai querer me explicar sem ela? vai querer morar no cético e ácido? como a parede bege e sem graça do meu antigo quarto, o nome do texto, o pranto? tu quer os lados, não me quer no meio? tu quer os frutos? se eu não souber voltar pra você, cê me busca? eu fico pensando. eu não sei até onde vai ser, mas desejo que seja até o eterno.
Nem sempre, meu amor, esteja dentro, não precisa exatamente. As vezes só saliva e língua Antes, saiba fazê-lo entre tantos Que mesmo em fase de algum lamento Chova pra fora Estremeça o corpo vibrando Ter nos vãos em movimento E nesse calor lambuzar, friccionar E rir sem juizo, desejar num canto dentro e fora do delírio que molha mais que a prosa Assim, em cada vez que procurar Quem sabe com sorte, ainda salive Quem sabe adormeça... E que antes não seja só rápido, egoísta Fale mais de uma língua São vários os lábios e que seja in(e)terno enquanto duro(e).
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