Tu lembra da gente correndo em direção ao ponto do ônibus naquela manha em que combinamos de ir para o trabalho juntos? A direção de nossas casas era diferente, mas sempre encontrávamos uma maneira de nos colocarmos em direções iguais. como quem não tem medo da morte, do desencontro ou de guardar o chocolate na mochila mesmo sabendo que vai derreter? eu consigo fechar os olhos e sentir o cheiro do asfalto daquela manhã de óleo, da rua de trás da sua casa e da gente tirando uma foto em que batia o sol nos nossos rostos, eu tenho a foto ainda, acredita? era sexta e você segurava minhas mãos. a viagem em que estávamos era maior que o trajeto e eu te amei como um homem jovem ama a possibilidade de ser livre. Eu te desafiei a me suportar nos dias ruins e você não equilibrou meus dramas e não poderia porque não te cabia essa cena esse papel. eu te chamava de meu amor e você dizia que eu era o seu galho, koala... tu ia embora. eu abria os olhos pra outros problemas. cê dizia que eu era bom demais, que eu te fazia bem demais, que besteira eu não fazia nem bem pra mim. eu queria atravessar a rua da sua casa, a sua sala, a sua cama. eu queria te mostrar quem manda. mas a gente eu era uma espécie de falha que não dura. uma hora você me viu diferente e eu não via mais nada.
você me amou como quem ama a si mesma.
eu te amei como quem aprende a desaprender.
Instagram: nu.amor
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