O “Quero ficar com você” se prendeu numa bolha de ar, entre a garganta e o peito. Estourou lá dentro. Eu nunca saberei ao certo o que perdi. Uma incerteza que vagará pelo corpo. Naquele momento, a frase valia ouro. Na semana seguinte, prata. Hoje, nada vale. Ninguém comentará nos livros, nos filmes ou nas poesias. O que não é dito, nunca se transforma em história de amor. É só um arrependimento, cor de ferrugem, onde às vezes penso que não mudaria nada. Noutras, sinto que transformaria o mundo. Ainda que fosse, somente o meu.
Nem sempre, meu amor, esteja dentro, não precisa exatamente. As vezes só saliva e língua Antes, saiba fazê-lo entre tantos Que mesmo em fase de algum lamento Chova pra fora Estremeça o corpo vibrando Ter nos vãos em movimento E nesse calor lambuzar, friccionar E rir sem juizo, desejar num canto dentro e fora do delírio que molha mais que a prosa Assim, em cada vez que procurar Quem sabe com sorte, ainda salive Quem sabe adormeça... E que antes não seja só rápido, egoísta Fale mais de uma língua São vários os lábios e que seja in(e)terno enquanto duro(e).
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