E se eu disfarço é porque não existe motivo para não dizer que sinto a sua falta. Então, digo qualquer coisa em silêncio pro universo, torcendo para que eu acerte o dia exato em que você pensou em mim, um dia que mora apenas nos meus sonhos. Você respondeu sem saber acho que sonhei com isso. Sem saber que esse é meu jeito de morar em ti, implorando para que ao menos uma janela esteja aberta quando o sol nascer. Por aqui as portas estão todas abertas e eu finjo que não sei onde é a saída.
Nem sempre, meu amor, esteja dentro, não precisa exatamente. As vezes só saliva e língua Antes, saiba fazê-lo entre tantos Que mesmo em fase de algum lamento Chova pra fora Estremeça o corpo vibrando Ter nos vãos em movimento E nesse calor lambuzar, friccionar E rir sem juizo, desejar num canto dentro e fora do delírio que molha mais que a prosa Assim, em cada vez que procurar Quem sabe com sorte, ainda salive Quem sabe adormeça... E que antes não seja só rápido, egoísta Fale mais de uma língua São vários os lábios e que seja in(e)terno enquanto duro(e).
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