Eu te amo. Por que raios acha estranho? Estranho seria deixar de amar se ainda tens os olhos miúdos e o sorriso lindo e gigante, e o suor no nariz que é tão lindo, e os mesmos pés que parecem dois paezinhos de leite, e acredito que o mesmo cheiro — na presença é o mesmo nos meus sonhos é o mesmo. Eu te amo, pois não sei amar por alguns segundos ou somente as quintas-feiras, te amo a semana inteira, o ano todo, porque a gente só batiza o que existe, mas ainda te amo. Amo nos finais de semana e nas mensagens antigas, e nas que ainda não enviamos, amo numa porção de poesias, que vão continuar sendo sobre amor, sempre.
Nem sempre, meu amor, esteja dentro, não precisa exatamente. As vezes só saliva e língua Antes, saiba fazê-lo entre tantos Que mesmo em fase de algum lamento Chova pra fora Estremeça o corpo vibrando Ter nos vãos em movimento E nesse calor lambuzar, friccionar E rir sem juizo, desejar num canto dentro e fora do delírio que molha mais que a prosa Assim, em cada vez que procurar Quem sabe com sorte, ainda salive Quem sabe adormeça... E que antes não seja só rápido, egoísta Fale mais de uma língua São vários os lábios e que seja in(e)terno enquanto duro(e).
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