Eu te escrevi uma carta de amor dentro da minha cabeça porque sou exagerado e quente como os amores delirantes de adolescentes (mas nao sou mais adolescente) que acabam viciados em amores platônicos, mas verdadeiros. eu te inventei (mas você é real) como a minha última chance de viver a vida mesmo sabendo que considerando todas as possibilidades, você é uma mulher com quem minha imaginação fez os cálculos, estudou a queda, mas não pulou. porque eu tenho já alguns anos e você está dentro de mim já a alguns deles. porque eu gosto de tomar um banho e deitar depois que chego do trabalho e você nem almoça em casa. e eu te pinto como quem me espera e tira minhas roupas e cuida, mas sei que hoje tu não vem, aliás há tempos tu não vem, é que sou carente do sonho de afeto do amor, mas não de qualquer amor, só do seu mesmo, do seu amor. é engraçado. porque fervo como qualquer romance hollywoodiano mas sonho é com quem dividir a conta do mercado, o aluguel, a prestação do apartamento, a cama, o anoitecer o amanhecer o compartilhar o dividir, sonho até em dividir o chiclete com você pega-lo da sua boca já quando estiver sem gosto porque o gosto da sua boca é o melhor gosto do mundo, com quem transar antes do trabalho. pra quem fazer macarrão no domingo. é disso que eu preciso: do repouso do carinho. eu te escrevi uma carta de amor dentro da minha cabeça porque é só lá que você me deita na cama pra roncar do meu lado. é lá que você fica cansado dos meus atrasos, mas continua amando quando eu chego. é lá que você me prolonga. e somos mornos e quentes como o amor poderia ser. e aqui fora tudo queima. você é a menina com a lua nos olhos e uma constelação de estrelas no lugar do coração. eu sou o menino que sonha perdido em uma estrela que tem o teu nome e o brilho do teu sorriso.
Nem sempre, meu amor, esteja dentro, não precisa exatamente. As vezes só saliva e língua Antes, saiba fazê-lo entre tantos Que mesmo em fase de algum lamento Chova pra fora Estremeça o corpo vibrando Ter nos vãos em movimento E nesse calor lambuzar, friccionar E rir sem juizo, desejar num canto dentro e fora do delírio que molha mais que a prosa Assim, em cada vez que procurar Quem sabe com sorte, ainda salive Quem sabe adormeça... E que antes não seja só rápido, egoísta Fale mais de uma língua São vários os lábios e que seja in(e)terno enquanto duro(e).
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