Quando te perguntam: - Tudo bem? Você responde: - Sim, tudo bem, e você? Ou simplesmente tudo bem!

Por conveniência, edução, costume ou você está realmente bem e se interessa profundamente em saber se o outro esta bem?


Eu hoje responderia!


- Sim tudo bem!  Por conveniência, educação e costume no caso uma mera cordialidade, mas será que se importa mesmo em saber se está tudo bem, pois ai seria uma resposta mais complexa.


Porquê na verdade...


Não, não está tudo bem! Ontem fui ao banco fazer um pagamento e transferi para a conta errada, tive que refazer pra conta certa e perdi dinheiro, meu gato queimou os bigodes subindo no fogão, ao me barbear cortei o rosto, perdi um livro que gostava muito não sei onde, acordei com torcicolo e to bastante incomodado e tem a situação politica do pais, pandêmia, preocupação com meus filhos, perdi vários arquivos porque não os salvei direito (eram importantes) perdi a aula online porquê toda noite a internet cai, a operadora está cada vez pior, entre outras coisas.


Além dos pensamentos que nem sempre colaboram.

Como vou lidar com meu ego?

Problemas existenciais? É o que eu tomo no café da manhã, traumas? Jogo bingo com eles.


É, não é fácil, não, não tá tudo bem! Porque o tudo incluiria tudo e isso é muito mais profundo do que uma mera formalidade.


O que é pequeno pra você talvez não seja para o outro e vice-versa.


Fui ao mercado mais cedo e me perguntaram: 

- Ta tudo bem? Não, não estava.

Eu disse:

- Sim, ta tudo bem!

Ah, mais ele está sempre sorrindo, deve estar tudo bem mesmo.

As pessoas sempre perguntam se está tudo bem... Mas quem realmente se interessa em saber se o outro está bem, fora da formalidade?


Quem te ouviria se fosse realmente falar como se sente?


Você ouviria?


Quantas pessoas realmente se interessam realmente em saber se está tudo bem?


Você ouviria uma resposta mais profunda e complexa sobre o estar tudo bem?


Quantas pessoas te ouviriam sem fugir de você no minuto seguinte?


De quantas pessoas você fugiria após ouvir?


Claro que a vida, as conversas, não precisam ser exatamente assim é só uma reflexão mesmo sobre o quanto isso é costumeiro e o quanto temos dificuldade de nos comunicar e nos ouvir, ouvir o outro a quase inexistência da escuta empática, da paciência.

Sobre a necessidade de estar sempre tudo bem, em ter que transparecer que está sempre tudo bem, sobre essa imagem que necessitamos e somos quase que obrigados a passar, mesmo quando tudo não está.


Você se ouve, ouve o outro?


E ai, ta tudo bem?

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