Eu tenho escrito todos os dias. religiosamente. sobre como tem sido sobreviver nesses tempos e sobre varias outras coisas, mas a maioria das coisas que escrevo é sobre ela, relatos que cabem somente a mim. verdades que só fazem sentido no meu peito. eu não consigo parar de escrever. é parte do meu significado. eu sou escritor, mesmo que não reconhecido, não lido, não publicado, porque escrever sou eu e sem a escrita percebi que não vivo, mas também sou filho, amigo, músico, pai, tio, vendedor, sonhador, leonino, entre outras coisas que ainda não sou ou não me cabem ser no momento, então eu acabo imerso nessas outras peles, que formam a minha, porque elas precisam mais de mim.
Antes, publicar tinha a ver com existir fora da minha cabeça. publicar tem a ver com ego, não com voz. porque se a gente só precisasse falar, seria mais simples. a gente carece de ser ouvido as vezes, todo mundo é assim e muitas vezes publicar não tem nada a ver com ser ouvido porque muitas vezes podem ler outra coisa diferente da que eu digo. porque ler é aberto. porque ler não tem rosto. porque muitos não conhecem o meu. e isso é libertador, também. poder falar. poder ser amado por quem é nas palavras e através delas no imaginário de quem as lê,
não que o texto tenha feito alguém me amar. acho que nunca fez. mas a ideia poética da admiração hipnótica que vezes a gente se engana sentir.
são só palavras. o que elas te dão de alguém?
E eu queria falar, desde o começo do texto, que tenho escrito muita coisa que meu ego não tem tocado, bem despido mesmo desse sentimento tão por vezes destruidor, e aí eu deixo lá e que é por isso que ando escrevendo mais poque é mais simples escrever sobre o sentir, sobre o momento do sentir que toca, sem precisar construir métricas ou rimas, sem precisar ficar escolhendo palavras, sem me censurar. ainda tô acreditando nisso. e que um dia verei mais que isso. isso quer dizer, quem sabe. eu não sei.
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