Somos tremendamente exigentes no amor e por isso as nossas condições,  são apenas tratos de mau estar de quem não ama…eu pouco gramo e não me revejo nesse ramo. É preciso entender que cada pessoa tem um formato único. Dás o que podes, fazes o que consegues, amas como entendes e aproveitas como depreendes. 


Amor é uma exploração onde o abecedário não tem de ser a garantia da frase que se exige, da gramática que se sonha ou do verbo que se exponha. Entramos na vida de uns e outros como Gurus da certeza inabalável de como deve ser o amor. 


Adoramos apontamentos, julgamentos, anotações que tatuamos nos outros como personas non gratas pelo que fornecemos. Anda tudo infeliz com o outro…e pouco feliz consigo. E lá nos remetemos a essa tristeza nauseabunda, negativa, de que não chega o que dou e não aceito o pouco que recebo. 


Lá partimos nós nessa busca de 10 formas de ser feliz, 5 formas de amar melhor, 15 fórmulas para não ficar triste, 20 ideias para apimentar a relação ou 30 regras a seguir …para o amor não diluir. Livros, informações, vídeos, debates, indagações, palestras, tentando atribuir conceitos perfeitos que determinem que o abecedário no amor.


Ninguém vive com o sentido de plantar um pouco de si, de dar sem olhar a quem, de fazer no seu abecedário o desenho de distribuir e com a sua parte contribuir. Construímos e edificamos prisões de exigências onde nem conseguimos sair para respirar o amor e nem deixamos entrar para nos libertar da dor.  


Sempre carregados de fantasmas, de barreiras, de bloqueios, de arritmias cardíacas, de paranoias, de defesas e imposições onde trabalho a estatística de dar menos ou mais, consoante quem aparecer e no meu plano se quiser estabelecer. 


Chateados, aborrecidos, desnutridos, farejamos em todos os cantos a raiz do amor que precisamos. Maldita falência esta de acreditarmos pouco em nós no que podemos dar, dependendo de tantos outros para o amor se facilitar. 


Que chatice andar sempre transtornados com um beijo que não é dado, um abraço que não é marcado, uma palavra que não é dita, uma ação que não é criada, um telefonema que não é feito, nesses conceitos que criam um enorme despeito e onde tudo para nós é desrespeito. Todos percebem o conceito de receber…poucos entendem a tradução de dar.


O amor não está disponível numa prateleira para ser comercializado como grande em costas pequenas.  Onde a exigência só sustenta o que quero para mim numa arrogância de verdade, onde sei para onde vou nesse abecedário…mas não sei quem sou...nessa gramática…

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