Se eu resolver te mandar mensagem finge que recebeu por acaso que eu finjo que mandei pro número errado, finge que não sou eu que finjo não ser eu também, fingindo que não é pra você, finge que me conheceu através daquela cigana bacana que leu sua mão uma vez e te disse que ia receber uma mensagem inesperada de um amor inacabado de vidas passadas, enquanto eu finjo que não lembro que sou essa pessoa que finge que não ama você pro domingo passar mais depressa, finge que foi só uma coincidência porque nosso sobrenome é parecido que eu finjo que troquei meu nome só pra te esquecer, finge que hoje não vai chover ai dentro que eu finjo que o sol se escondeu de mim nesta segunda-feira, finge que não leu meu mapa astral e que meu signo é até legal, que a minha lua combina com a sua e meu ascendente não é tão ruim assim, que eu finjo me lembrar que a lua anoiteceu de dia e que o sol amanheceu de noite, finge que a mensagem não foi pra você que eu não sou eu, que eu finjo não me lembrar de você, que essa mensagem é obra do acaso de uma pessoa que somente escreveu um ainda te amo para o número errado.
Nem sempre, meu amor, esteja dentro, não precisa exatamente. As vezes só saliva e língua Antes, saiba fazê-lo entre tantos Que mesmo em fase de algum lamento Chova pra fora Estremeça o corpo vibrando Ter nos vãos em movimento E nesse calor lambuzar, friccionar E rir sem juizo, desejar num canto dentro e fora do delírio que molha mais que a prosa Assim, em cada vez que procurar Quem sabe com sorte, ainda salive Quem sabe adormeça... E que antes não seja só rápido, egoísta Fale mais de uma língua São vários os lábios e que seja in(e)terno enquanto duro(e).
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