Não preciso contar as gotas da chuva para me notar encharcado, por isso não quero saber o quanto te amei, se foi muito ou se foi pouco, se o amor teve um começo numa tarde de abril ou se terminou após uma noite em um hotel, pouco importa. Eu sei que estou inundado e que abro a boca com cuidado para não deixar escapar uma história que dentro de mim transborda: às vezes poesia, às vezes alegria, às vezes não tem nome e às vezes não sei o motivo, mas às vezes eu sei. E por saber eu choro todas as gotas da chuva que habitam os meus pensamentos, essas eu insisto em contar e parece que aumentaram desde a última vez. Como posso sentir a chuva de um céu que não é meu? Chover de dentro pra fora, como se no meu corpo o céu morasse, como se a chuva fosse eu.
Nem sempre, meu amor, esteja dentro, não precisa exatamente. As vezes só saliva e língua Antes, saiba fazê-lo entre tantos Que mesmo em fase de algum lamento Chova pra fora Estremeça o corpo vibrando Ter nos vãos em movimento E nesse calor lambuzar, friccionar E rir sem juizo, desejar num canto dentro e fora do delírio que molha mais que a prosa Assim, em cada vez que procurar Quem sabe com sorte, ainda salive Quem sabe adormeça... E que antes não seja só rápido, egoísta Fale mais de uma língua São vários os lábios e que seja in(e)terno enquanto duro(e).
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