As vezes eu só queria que ela soubesse, qual o peso e a medida, do que é ser ela da maneira que eu a sinto e a vejo.

Que pudesse calcular a altura da queda livre sem que eu pudesse desabar, cair, mas nunca se estatelar no chão, é difícil cair e nunca quebrar um osso, asas ainda inteiras mas há este céu duro feito murro e as grades fecham os olhos para que não olhem em outra direção, o corpo que cai é o verso do comandante do avião que espia e diz a si, o único passageiro, desculpe tripulação, vai cair, vai cair, vai cair.

Foi necessário utilizar uma vez ou outras as asas, por isso mata-me apenas em sonhos quando morro.

Morro fielmente aos acontecimentos e sobrevoo meu corpo ali feito desconhecido de mim mesmo.

Quem diria eu a ela que seria assim tudo calculado feito feito equação de deuses mórbidos e brincalhões que utilizaram bisturi ao invés de uma calculadora de sentidos, fala-se assim como se fosse fácil calcular e ao menos ela sabe, nunca fui bom em matemática da vida, e no fim dei vida a cálculos inexistentes, que não nos levaram a resultado algum.

Penso, lembro, sempre esqueço o quanto o sol se esquece de brilhar em dias ensolarados e que a Lua cheia não tem mais sentido algum quando me olha nos olhos pois a relva do gramado em que me deito como naquela foto que mais amo dela não está e não é mais verde como antes, a posição que me encontro é a mesma e caminho difuso e transfuso para centenas de transfusões diárias co-sanguineas, confuso ligo o chuveiro para ver se sai fumaça de vapor, para dar valor naqueles dias frios em que eu acordava mais cedo e fazia o mesmo para deixar o banheiro quentinho, olho a fumaça dentro do box do banheiro e a direção em que os olhos me tomam somente somem em meio a parede de azulejos brancos que começam a ficar cinzas só com o toque da minha escuridão branca e azeda, escuto versos vazios de sentido e vozes que não me dizem nada, sussuros outras peles e o suor esquenta ao esquecer que estou ali a mais de vinte minutos esquecido de mim mesmo, olho e sinto o verso desbocado da falta de verão, sinto, sento e choro, faço uma versão na minha cabeça da música que você mais gosta e no fim sorrio.


Para poder morrer apetecido me cubro de promessas e dividas, lembra-te que morremos e meu amor de carne/miséria vive longe e ama como alma de anjos que dormem uns por aqui um por aí e pouco a pouco a chuva brisa toma o leito absurdo a reclamar de coisas que não sabemos quais são.


Como dizia Hilda "só eu não durmo para te pensar" 


Vais sempre pro mesmo lugar ou lugares até fui e esqueci para onde vou, ah, deixa pra lá, esqueça.


Eu só queria as vezes que ela viesse e sentisse o peso que é me ser, vazio e leve pois sinto o peso da tonelada que é se-la.


Eu só queria as vezes que o vento te tocasse e te cantasse e te trouxesse uma muda de alecrim um cacho de uvas voador uma begônia ou uma rosa em que as pétalas nunca caíssem e que as mãos nunca cometessem o crime do vazio que é não tocar-nos em frente ao verso esquecido na porta do colégio, que as paisagens te lembrassem quem são e o que são nas diversas formas e cores e valores os calores que te cobrem no inverno, que nunca precisasse fazer um inventário sobre partidas e desvios de nuvens que chovem em níveis catatônica em meus olhos, que o sangue pudesse transcender e transcrever feito transparência de vento dá brisa que nos toca toda manhã de sol e que o sopro do vento soprasse nos ouvidos a nosso favor.


Multiplicações invariáveis de incandescência estelar colhem flores no campo acordo esqueço que acordei pois dormir sem dormir é a formatação de que o esqueleto se cobre de ossos não existe passado a ser ouvido quando surdo de presente e futuro, madrugadas são mais longas que dias e anjos dormem para nos proteger pela manhã.


Eu só queria as vezes que ela soubesse que o pranto é uma planta que cresce e floresce feito flor colorida plantada no quintal de uma casa que nunca entramos é que nessa cidade tem uma rosa de pálida agonia a me esperar.


Eu só queria as vezes que se fotografias renascesem elas permaneceriam vivas naquele mural que combinamos de fazer na parede do quarto, da sala que sonhavamos em ter, enfim, e que se seu pudesse quebraria este muro com as mãos estouraria está grade com o peito e entraria de peito aberto para entrega-la ao ser mais feio que conheceu para fazermos o velório dele juntos pois outro ali está vivo e viajando a kilometros de distância de casa.


Só queria tocar a campainha da casa dela e dizer que eu cheguei, e postar aquele #tbt que só posto para mim em pensamento, acordar pelo caminho vivo porque ando sem rumo e dormindo sem poder dormir.


As vezes cansa este despertar de sentidos de só por ele me saber estar sendo cruel comigo mesmo, absolvo as flores que vejo no caminho e leio meus livros, escrevo cartas que por hora não irei enviar tiro fotos da minha imaginação esqueço o verbo e os versos e as partes quebro em parcelas que não posso mais pagar.


De tintas derramo e de cores regaço o cinza que me cria feito filho, fico vou esqueço, se é que posso não sei.


As vezes só queria que ela soubesse....

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