É uma coisinha lá dentro, difícil de explicar. Um pontinho que não fica no peito nem na barriga, está entre eles, no centro do corpo, aquecendo apressado, implorando... Não explicar, acho que sei, as vezes acho que sei...


Pois é esse o sentimento que me guia, esse amor  que me leva, me guarda e me abençoa.


O pontinho vai esquentando até virar uma bolinha em chamas, um pequeno cometa pedindo algo. O quê? Não sei. Na dúvida, faço tudo: um pedido, envio mensagens para meu bloco de notas, sim para o meu bloco de notas, não tenho tanta atitude assim, resgato lembranças, medito, tomo um banho, deito, trabalho, leio um livro, sento na praça, faço uma música, cuido das plantas, abraço meus gatos, olho céu, olho pro chão, respiro, inspiro, choro, dou risada, escrevo textos, poemas, estudo, respiro de novo, durmo, faço café, coloco um bolo no forno,  uma música para tocar, sei lá mais o que...


Às vezes ao mesmo tempo, às vezes só penso em fazer. Até que esse calor desaparece, e no lugar dele surgem uma porção de bolinhas geladas, o inverno em cápsulas. 


É uma coisinha lá dentro, difícil de explicar. Um pontinho que não fica no peito nem na barriga, está entre eles, no centro do corpo, aquecendo apressado, implorando...


-Vem mais cedo hoje, por favor, to com saudades.


Era só isso que eu queria poder te dizer.


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