O amor não nasce

não vive

e nem morre na cama

cabe num sofá

morre em uma tarde de quinta

ou em uma manhã de domingo

não morre?

o amor não vinga

nem na birra

nem no pranto

mesmo a poesia

vez em quando

é só desespero

as vezes brisa e mar

o amor pode até parecer

uma agulha cravada

entre as unhas quebradas 

que arranham os discos de vinil

do meu pai.

mas, meu bem, o amor não dói

mas as vezes dói

é uma rede entre a sombra

das árvores no quintal

é um luar estrelado entre as serras

e as terras das três montanhas

é qualquer coisa

entre o singelo e o absurdo

entre o tumulto e o aconchego

um gramado, um jardim

um pássaro que voa

um peixe com as asas quebradas

é que eu também não sei explicar

mas sinto ou já senti

grito

silêncio

onde mora o

i n f i n i t o


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