O corpo se expande na desmedida calculada de um albatroz silenciando asas nas águas do abismo. Luares com implantes de porcelana nos dentes brincam com pequenos pedaços de nuvens. Montanhas de gelo fazem do sol refém em seu tórax envidraçado. Ele alumia e trinca os ossos descendo escadas caracóis. O porão do paraíso faz do quimérico desenfreado Síndrome de Estocolmo. Pâncreas explodindo nos ávidos triglicerídeos. Vícios se extinguindo nas boias dos bombeiros e pesadelos de maremotos lambendo o inconsciente. Alguns dias são desperdício de vida. A câmera endoscópica é a longa raiz da gérbera adentrando o estômago. Flores análogas aos lábios contam horas, róseos, úmidos, brilhantes. Jardins gástricos. Carmem Miranda no dulcíssimo sono atemporal do benzodiazepínico. O anjo devora um roxo buquê de H. pylori e enterra-se no cemitério com árvores de grandes sombras. Muda enxertada em vasos de terras adubadas no mundo que desacolhe a beleza das Tacca chantrieri. Lugares que meus tecidos e pele não tateiam. Os equinócios os ciclos balançando com os olhos escuros vazando-se no infinito abrem lacunas edípicas. Dor que começa e finda em si mesma. Ruína sôfrega do corpo na impossibilidade de abarcar excessos emocionais invisíveis. Hipocondria patinando aos obscuros detalhes do vazio ou ao céu de verão preenchendo poros.

Estendendo-se à primavera, espreguiçando juntas, nervos e músculos à luz da claraboia. Aves extinguindo-se nos prados solitários. Surrealismo posto em altar e água benta nos sonhos ultrapassando os limites da pele. Corpo construindo-se ao contrário, transmutação...


Ah, onde nascem as palavras?


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