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 Fiz da mentira verdade   Parei de mentir Agora é só vaidade.         *   Não me acordem mais para falar-me de amor. Faça-o ser, aurora e morada em cores pálidas.         *   na branca cama penitência quebrada corpos intensos exaustão de lamparinas dançantes prazeres em feriados ar    ras         ta            dos a ontens : velo o nome.         (or)ação     Vertigens dogmáticas Me levam ao chão Reza a língua Onde ajoelhado lavo meus pecados Com fluidos de um ventre.
Nem sempre, meu amor, esteja dentro, não precisa exatamente. As vezes só saliva e língua Antes, saiba fazê-lo entre tantos Que mesmo em fase de algum lamento Chova pra fora Estremeça o corpo vibrando   Ter nos vãos em movimento E nesse calor lambuzar, friccionar E rir sem juizo, desejar num canto  dentro e fora do delírio que molha mais que a prosa   Assim, em cada vez que procurar Quem sabe com sorte, ainda salive Quem sabe adormeça... E que antes  não seja só rápido, egoísta Fale mais de uma língua São vários os lábios  e que seja in(e)terno enquanto duro(e).
Ainda ontem me passaram o sabão no sono do sexo. — A sede dos brutos é um improviso cruel: eles me mastigaram frito al dente.       Eu queria poder fugir nesse instante em que v. executa essa flauta transversal no meu ouvido.     Temo que amanhã eu acorde e v. tenha bordado as velas acessas no meu cachecol.   Temo que a última cena seja essa:   Primeiro v. dirá, A arquitetura do desespero e do medo, só o que teus olhos sabem decifrar. Teu coração bate o luto dos dias.   Depois prepara o café enquanto cola selos em postais de despedida, esse é para meu pai que, mesmo longe, ainda martela, em meus sonhos, a rigidez e a palmatória.   FIM.     Eu queria escrever esse poema de chuva para livrá-la de todo cansaço inútil, eu que te acho mais bonita que a lenda do boto e de quem escuto, todos os dias, que temos que aprender a lapidar aquilo que em nós é o divino espírito santo de uma varanda com pomar de conchas na areia de uma cidade que n...
Não sei porque o desdém após tão longa e desastrosa convivência. Mentira, sabemos. Revivi coisas vividas, vidas não vividas, vi e ouvi de dentro e de fora, plantei venturas, colhi agruras. Tive lampejos, revelei desejos, ousei horizontes e aproei nortes, enfrentei noites e arrisquei sortes.  Foram dias, meses e anos, lhe sorvi, embebi e pari. Me arrisquei, dei luz a eu mesmo, eu meu próprio filho com o dedo no gatilho, sorvendo o meu próprio cordão umbilical enrolado em meu pescoço, sem coração desabo esfrego o erro na cara, bebe teu chá de mágoa com sabor de certezas, enquanto fumo o meu cigarro acendendo com o fogo da tua razão, eu levanto, respiro chocolates, me abraço em flores, cuido e abandono. Fim... Tudo bem se enganar, segue... A incerteza é meu prato preferido, o mais caro do cardápio, nunca tenho como pagar, de verdades sei pouco, nada, quase nada. Certeza... O que é isso? Na cama, me fez homem e mulher, feliz e infeliz; sofri e gozei, ri e chorei.  Tornei você cúm...
 Misturo línguas confundo foda com romance crio uma história com casa família pets   [e o patético final clichê: foram felizes para sempre sorrindo no portrait]   se não liga não procura some da galáxia evapora transformo o fora em fúria   o poema empunha — feito foice — a bandeira das palavras "que traduzem a ternura mais funda"   obtenho, por exemplo 'metamorfoda-se'   indicativo meu amor   metalinguístico.
 (d)êxtase em f(l)or     creio. tenho fé. que teus pés de santa tanto quanto teu olhar existem para criar cova Rasa Funda Em m-ares         *   Removo montanhas.         *   Na corrente entre o meu e o teu brinquedo uma arma Na mordida entre o meu e o teu cheiro uma granada A bala mais perdida do pique- esconde O ápice do ácido quando se derrete em fome   Encontro úmido da delícia com a fome * amarga  mais ontem que de manhã Me f(l)ora Foi-se a foice Cortou, derrapou afiou uma arma Na mordida entre o meu e o teu desejo uma bomba afiada A bala mais perdida que a fome abraçado ao corte da faca O ápice do ácido quando se derrete em nome e sobrenome.
Tudo o que eu queria era ser teu poema. Um poema estranho, ao mesmo tempo familiar. E que me lesses. Lesses aos poucos, sem pressa, calmamente, deixando-se impregnar de cada palavra que te me dissesse. Que me soubesses de carne e osso. Que te acostumasses com meus pensamentos argutos de humano inquieto, que sai do lugar e expressa a vontade, Inquilino... o direito, a liberdade, assim, com destemidos verbo e vigor. Queria que tu me lesses atentamente, a página inédita da complexa técnica cirúrgica, da promissora droga capaz de auxiliar a cura da enfermidade mais desafiadora. E, então, seria possível seguir. Seria perfeito entregar. Ouvir minha voz em tua boca, Sentir tua boca em minha carne, Ter a tua carne em minhas mãos, Tuas mãos em minha mente, Tua mentira em meus olhos. Eu teu pasto, teu desacato, a rima dos versos livres, sem-vergonha ali da esquina, que não te quer e que não te deixa.